A pegada ecológica da indústria da moda

31 Julho 2020

Neste momento, a indústria têxtil e da moda vive uma crise social e ambiental e o seu lado charmoso e sofisticado em nada combina com as suas consequências para o ambiente.
 
A indústria têxtil é, neste momento, a segunda indústria mais poluente e só mesmo a indústria petrolífera a ultrapassa. A fast fashion, assente num conceito capitalista, é um modo de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados em muito pouco tempo. O resultado é um ciclo vicioso e poluente e que o Planeta já deu sinais de não aguentar.
 
Urge, assim, fazer alterações estruturais na forma como produzimos e consumimos produtos de moda.
 
A expressão fast fashion surgiu nos anos 90 mas teve origem duas décadas antes, em 1970. A fast fashion foi despoletada pela crise do petróleo dessa mesma década e, de modo a ultrapassarem a crise e conseguirem escoar produção, as empresas começaram a produzir em maior quantidade e em menos tempo, utilizando materiais de menor qualidade. Olhavam para as grandes marcas e tendências e criavam modelos parecidos mais baratos e em maior escala.
 
Vamos a números?
 
Em 2015, a moda gastou 118 mil milhões de metros cúbicos de água, 1715 milhões de toneladas de CO2 emitido para a atmosfera e foram desperdiçados 92 milhões de toneladas de roupas. A título de exemplo, uma t-shirt de algodão precisa de 2700 litros de água para ser feita, o que corresponde ao consumo médio de água por uma pessoa durante 2 anos e meio.
 
Entre 1996 e 2012, a quantidade de roupas compradas por pessoa na União Europeia (UE) aumentou 40%. A partir dos anos 2020, o poliéster, uma matéria-prima não biodegradável e feita a partir de combustíveis fósseis tornou-se o material favorito das marcas.
 
Mas os números astronómicos e assustadores não ficam por aqui. Em 2015, a produção de poliéster na indústria têxtil libertou 706 mil milhões de kg de gases de efeito de estufa, o que equivale a 185 fábricas a carvão. Para piorar, enquanto uma t-shirt de poliéter é responsável por 4,5 kg de CO2, a mesma t-shirt de algodão emite 2,1 kg de CO2. Já depois de descartada, a mesma t-shirt continua a poluir, uma vez que demora cerca de 200 anos até se decompor completamente.
 
Contudo, o algodão também tem as suas consequências para o ambiente. A sua produção ocupa cerca de 3% das terras aráveis de todo o mundo e, por ano, são usadas 200 mil toneladas de pesticidas e 8 milhões de toneladas de fertilizantes, o que significa que produzir 1 kg de algodão equivale ao uso de 0,35 a 1,5 kg de químicos.
 
O que podemos fazer?
 
As alterações na indústria da moda devem ser estruturais. Enquanto consumidores, temos o direito de fazer escolhas que diminuiam estes valores exorbitantes e o dever de pressionar e exigir mudanças às grandes empresas.
 
Escolhe marcas slow fashion ou com preocupações ambientais. Geralmente, as marcas slow fashion escolhem matérias primas amigas do ambientes, produzidas num contexto sustentável. São produzidas menos peças, os materiais e os processos de produção não são agressivos para o ambiente e os trabalhadores recebem uma remuneração justa.
 
Por isso, as marcas de slow fashion praticam preços um pouco mais altos que as marcas mais baratas. A razão? É o preço justo. Para o ambiente, para a empresa, para os trabalhadores e para os consumidores.
 
“Preciso mesmo disto?” Uma das causas do carácter poluente da moda é a quantidade excessiva de roupa comprada pelos consumidores, que obriga as marcas a terem sempre algo novo para vender.
 
Da próxima vez que fores às compras, faz esta pergunta a ti mesmo. Precisas mesmo de outra t-shirt, de outro par de calças ou de outro vestido? Ou estás só a comprar porque está mais barato? Se alterares os teus hábitos de consumo, para além de um planeta mais limpo, vais sentir grandes diferenças na tua carteira.
 
Lojas de segunda mão. Vais ficar surpreendido com a roupa que podes nas lojas em segunda mão. A maioria destas lojas em segunda mão só aceita roupa que ainda está em boas condições ou que apresenta poucas marcas de uso.
 
Para além da qualidade, as lojas praticam os preços baixos e garantimos que podes encontrar muitas peças interessantes escondidas nas prateleiras destas lojas. Hoje em dia, as lojas em segunda mãe já migraram para o digital e podes encontrar e-commerces com roupa em segunda mão online.
 
Doa. E quando a roupa deixa de te servir? O que fazer? Primeira regra: não deites no lixo! Ao deitar a roupa para o lixo, esta vai acabar no aterro ou a ser incinerada, libertando gases que potenciam o efeito de estufa.
 
Olha à tua volta: há alguém a quem podes oferecer? Com certeza conheces alguém que lhe dê uso: uma amiga, uma irmã mais nova, uma prima, conhecidos de conhecidos? Ninguém? Sem problema! Com certeza que na tua comunidade existem associações ou instituições de caridade que estão dispostas a aceitar as tuas roupas e a distribui-las por família carenciadas.
 
Outra opção é deixar as tuas roupas em contentores de roupa usada. As empresas de recuperação têxtil e associações fazem uma espécie de triagem à roupa e dividem-na conforme as suas condições: pode ser doada, desviada para reciclar, exportada ou, caso não tenha mais utilização, deitada fora.
 
Reconstrói.
 
Outra opção é dar outra vida às tuas roupas, ou seja, transformá-las numa nova peça. Por exemplo, tens uma calças que ficaram curtas? Transforma nuns calções.
 
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